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Prudentópolis, a terra das cachoeiras gigantes.

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Mesmo localizada bem pertinho de Curitiba, ainda não tínhamos tido a oportunidade de conhecer Prudentópolis, no centro-sul do Paraná. O município é conhecido como a terra das cachoeiras gigantes e possui mais de 100 cachoeiras catalogadas. Aproveitamos o feriado da virada de ano e demos um pulo em Prudentópolis, pra conhecer um pouco de suas belezas.

Prudentópolis

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Praça Principal de Prudentópolis. Foto: Itamar Japa.

O município de Prudentópolis está localizado a pouco mais de 200 km da capital, Curitiba, entre os municípios de Ponta Grossa e Guarapuava. Possui uma área de 2.308 km² e população de cerca de 50 mil habitantes (censo 2010), sendo que a maioria de sua população reside em zonas rurais.

Prudentópolis também é conhecido como a “capital do feijão preto“. O município é o maior produtor de feijão preto do Brasil e possui até uma festa (Festa Nacional do Feijão Preto – Fenafep) pra comemorar essa marca.

Prudentópolis recebeu este nome em homenagem ao ex-Presidente da República, Prudente de Morais. Antes a localidade era chamada de São João do Capanema.

Prudentópolis também é conhecida como a Pequena Ucrânia, pois foi a cidade brasileira que mais recebeu imigrantes ucranianos. Aproximadamente 80% da  população atual de Prudentópolis tem descendência ucraniana.

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Bem vindos a Prudentópolis, a Pequena Ucrânia. 

Prudentópolis, terra das cachoeiras gigantes

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Salto Manduri. 

Prudentópolis é cortada por 3 rios principais: os rios São João, dos Patos e Ivaí. São estes rios os responsáveis pelas mais de 100 cachoeiras existentes na região.

A primeira coisa a mencionar, é que pra chegar em cada cachoeira você vai ter bastante trabalho. O acesso até as cachoeiras não é dos melhores, aliás, é meio precário em algumas delas. Um carro pequeno, de passeio, sofre bastante. Nós estávamos com um Fiat Ideia Adventure, que é um pouquinho mais alto, e já sentimos o drama. Mas de qualquer forma, vimos muitos carros pequenos em todas as cachoeiras em que estivemos.

As Cachoeiras que visitamos

Nós estivemos conhecendo algumas das principais cachoeiras da região e vamos contar um pouco sobre cada uma delas.

Salto Manduri

O Salto Manduri é o salto que fica mais próximo do centro de Prudentópolis, são cerca de 14 km a partir do centro, sendo 9 km no asfalto (BR- 373 – sentido Ponta Grossa) e o resto em estrada de cascalho.

O salto fica em uma propriedade particular (Recanto Rickli) e para acessá-lo é preciso pagar. Nós acampamos no Recanto Rickli e ficamos isentos desta taxa de visitação. Aliás, em quase todos os saltos é preciso pagar pra entrar e quase todos possuem um Recanto/Pousada nas proximidades.

O Recanto Rickli possui uma boa infraestrutura com piscinas, restaurante, churrasqueiras e espaço para Camping. Tel. (42) 3446-4088

O Salto Manduri possui cerca de 32 metros de altura e 100 metros de comprimento (é o maior de Prudentópolis, em comprimento). Atualmente ele está isolado por uma cerca e não é possível chegar até sua base.

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O Maior Salto em comprimento. 

 Salto Barão do Rio Branco

Seguindo cerca de 1 km adiante, pela mesma estrada que da acesso ao Salto Manduri e Recanto Rickli, chega-se ao Salto Barão do Rio Branco.

Este Salto fica em uma propriedade privada, mas não cobram entrada. É um dos saltos com maior volume de água, isso faz com que seja aproveitado para geração de energia através de uma pequena usina geradora, que fica próximo a sua base.

Para chegar até sua base (e até a Usina) é necessário descer uma escada de quase 500 degraus. O esforço é compensado pela bela vista da queda que possui cerca de 65 metros.

Também é possível ver ao Salto Barão do Rio Branco de cima, através de um pequena trilha que leva até uma espécie de mirante.

Deste mirante, além de ver a cabeceira do salto de perto (bem de perto), é possível contemplar uma bela vista do Cânion Rio dos Patos.

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Salto Barão do Rio Branco. Foto: Itamar Japa.

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Salto Barão do Rio Branco. Foto: Itamar Japa.

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Quase 500 degraus pra chegar, mas vale a pena! Foto: Itamar Japa.

Salto São Sebastião

O Salto São Sebastião é um dos maiores saltos da região com cerca de 120 metros. Está localizado na “Linha São Sebastião” a pouco mais de 30 km do centro de Prudentópolis. O acesso é feito através da Rota das Cachoeiras, em 14km de estrada asfaltada e o restante em estrada de cascalho (Linha Paraná e Linha São Sebastião).

Nós tivemos acesso a cachoeira através de uma propriedade privada pertencente ao simpático e atencioso Sr. Juca Kapuscinski. Pagamos 10 reais por pessoa.

A propriedade possui um mirante improvisado que permite visualizar de frente ao Salto São Sebastião. Também é possível ir até a cabeceira do Salto São Sebastião, de onde é possível visualizar o Salto Milot (de 130 metros), que fica de frente ao São Sebastião. A vista do São Sebastião não é muito boa, quase não da pra ver a queda.

A melhor forma de visualizar o Salto São Sebastião é descendo até sua base, através de uma trilha de nome bem sugestivo: “Trilha Escorregadia”. De lá é possível ver os dois saltos (Milot e São Sebastião). Nós acabamos não descendo, pois precisávamos otimizar o tempo pra visitar no mesmo dia, os saltos São João e Sete, não precisa nem falar que voltaremos pra Prudentópolis pra descer lá em baixo né!

Sr. Juca Kapuscinski, nos contou que algumas pessoas acampam por ali, mas a propriedade não tem muita infra-estrutura pra isso. Ali bem próximo a estes Saltos, também existem 2 recantos, o Recanto Perehouski – Site|Tel. (42) 3446-3329 – e o Ninho do CorvoSite|Tel. (42) 3224-0606, ambos possuem acesso a cachoeiras, oferecem hospedagem e outras opções. Nós tínhamos a intensão de pernoitar no Recanto Perehouski, mas infelizmente o proprietário faleceu por aqueles dias e o recanto permaneceu fechado.

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Salto São Sebastião e o belo entorno. Foto: Itamar Japa.

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Salto São Sebastião visto do Mirante. Foto: Itamar Japa.

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Cabeceira do Salto São Sebastião e a frente o Salto Milot. Foto

Salto São João

O Salto São João fica localizado a cerca de 30 km do Salto São Sebastião e a aproximadamente  22 km do centro de Prudentópolis. O Salto possui cerca de 84 metros de altura e é um dos mais bonitos da região, pois possui uma vazão bem forte.

O Salto fica em propriedade privada e pra ter acesso a cabeceira do Salto São João, também é preciso pagar. São 10 reais que dão direito ao acesso a cabeceira da cachoeira em uma trilha de nível fácil, de aproximadamente 2 km.

Os proprietários deste Salto são os donos da Pousada Salto São João. Esta propriedade possui, restaurante, lanchonete, piscinas e churrasqueiras. Também dispõem de quartos e espaço para camping. Se der sorte, ainda pode brincar com o bebê cabra. Site|Tel.: (42)8846-1736

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Cabeceira do Salto São João. Foto: Itamar Japa.

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Trilha de acesso ao Salto São João. Foto: Itamar Japa.

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Belas paisagens pelo caminho até o salto. Foto: Itamar Japa.

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Frejat enganando o bebê cabra! Foto: Itamar Japa.

Também é possível observar o Salto São João de frente, a partir de um mirante localizado a cerca de 1 km de distância, a partir da Pousada São João.

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Salto São João visto do Mirante. Foto: Itamar Japa.

Salto Sete

O Salto Sete fica localizado a cerca de 11 km do Salto São João e a aproximadamente 13 km do centro de Prudentópolis. Possui uma queda de pouco menos de 100 metros (96) e devido a sua baixa vazão é ideal para a prática de Rappel.

O Salto Sete fica localizado em uma propriedade particular e tenho que ressaltar que dentre todos os saltos que visitamos desta vez, o Salto Sete é o que possui uma melhor infra-estrutura turística.

A Pousada Salto Sete disponibiliza chalés, restaurante/lanchonete e Wi-Fi (coisa rara pra aqueles lados). Site|Tel. (42) 9822-7777

Próximo aos chalés existe um mirante de onde é possível avistar (de maneira parcial) o Salto Sete e em sentido oposto a este mirante está a trilha que da acesso a cabeceira da cachoeira. A trilha é de nível fácil e atualmente está bem conservada. Existe ainda uma trilha que leva até a base da cachoeira, mas infelizmente nós também não fizemos. Ta aí mais um motivo pra voltar pra Prudentópolis né!

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Vista do Salto Sete, a partir do Mirante. Foto: Itamar Japa.

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Cabeceira do Salto Sete. Foto: Itamar Japa.

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Cabeceira do Salto Sete. Foto: Itamar Japa.

Salto São Francisco

O Salto São Francisco é o maior salto de Prudentópolis e o maior da região sul do Brasil. Está localizado na tríplice fronteira entre Prudentópolis, Turvo e Guarapuava e atualmente está sob cuidados do Parque Municipal São Francisco da Esperança, da prefeitura de Guarapuava.

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Salto São Francisco. Foto: Itamar Japa.

Existem duas maneiras de chegar ao Salto São Francisco, uma por Prudentópolis e outra por Guarapuava. Nós fomos e recomendamos o caminho de Guarapuava, pois segundo orientação dos locais, a estrada chamada “Linha Vista Alegre” não apresenta boas condições para carros que não sejam 4×4. Nós não arriscamos e deu tudo certo.

No Parque existem alguns mirantes que permitem a visualização integral do belíssimo Salto São Francisco, mas o maior atrativo (para quem gosta de aventura) é a descida até sua base.

O Parque possui estacionamento, uma pequena lanchonete/restaurante, banheiros e centro de atendimento ao turista. A entrada e o estacionamento são gratuitos.

Fizemos um post inteirinho dedicado ao Salto São Francisco e para mais informações sobre o maior salto do sul do Brasil, acesse este post aqui
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Salto São Francisco. Foto: Itamar Japa.

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Trilha em dia de chuva, diversão garantida! Foto: Itamar Japa.

 Salto dos Cavalheiros

Também no Parque Municipal São Francisco da Esperança, está o Salto dos Cavalheiros, um pequeno Salto de aproximadamente 12 metros que antecede ao Salto São Francisco.

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Salto dos Cavalheiros. Foto: Itamar Japa

Para chegar as cachoeiras é bem fácil, basicamente os acessos se interligam (com exceção do Salto Manduri e Barão do Rio Branco). Você pode descolar um mapa como este (abaixo) no centro de informações (42) 3908-1105.

 

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Mapa de Prudentópolis.

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Estrada que dá acesso a uma das cachoeiras. Foto: Itamar Japa.

Onde comer em Prudentópolis

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Pierogi, prato tradicional da Ucrania. Foto: Itamar Japa.

Nós ficamos totalmente satisfeitos com a refeição tipica ucraniana que comemos no Restaurante e Churrascaria do Penteado,  mas se você não quiser comer comida ucraniana, o restaurante também possui rodízio de carnes (que também ficam a disposição de quem come a comida ucraniana). Além do restaurante, eles também possuem uma Pizzaria localizada bem na frente da praça principal da cidade, a Pizzaria do Penteado. Foi lá que descobrimos o restaurante e a comida ucraniana, os preços são menores na pizzaria e é uma ótima opção pra comer lanches e comidas rápidas.  Restaurante Penteado – Tel. (42) 3446-1334

Existe também um lugar chamado o Chalé, onde é possível comer bem e os preços não são abusivos. No chalé tem várias coisas pra comprar como queijos, cracovias, linguiças, ervas etc. Vale a pena dar uma paradinha lá. O Chalé fica na Br-373, existem muitas placas de propaganda do Chalé (no Chale tem…) próximas a ele, mas nenhuma placa nele, então tem que ficar esperto pra não passar batido.

Onde se hospedar em Prudentópolis

Nós pretendíamos ficar em localidades distintas pra facilitar a logística da visita as cachoeiras, mas decidimos ficar todos os dias no Recanto Rickli, primeiro porque ficamos acampados por R$15 por pessoa/dia, segundo porque armamos as barracas e fizemos base e cabanas de lonas, pois o tempo era de chuvas esparsas. Desarmar o acampamento ( e montar de novo) nos custaria tempo e trabalho e preferimos ficar por lá mesmo!  Além disso, é o recanto mais próximo do centro e dali fica fácil pra ir no centro comer algo, comprar gelo, cerveja, carne e carvão. Rá!

Como já mencionei, o Recanto Rickli, possui uma boa infraestrutura, mas o espaço do camping estava com o mato um pouco alto, porém entendemos que com tanta chuva no período, isto seja bem compreensível. Nós fomos muito bem recebidos pelo Álisson, que foi muito atencioso em todos os momentos.

Contato Recanto Rickli Tel. (42) 3446-4088

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Nossa barraquinha <3. Foto: Itamar Japa.

Conforme mencionei acima, em quase todas as cachoeiras existem pequenas pousadas e recantos, além disso existem alguns hotéis no centro de Prudentópolis.

Procure mais hospedagens aqui:



Booking.com

Como chegar em Prudentópolis

Partindo de Curitiba é possível seguir direto pela BR-277 até Prudentópolis, ou pegar a BR-277/BR-376 e depois seguir pela BR-373 que corta Prudentópolis. A distância é praticamente a mesma.

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Sentido Prudentópolis. Foto: Itamar Japa.

Prudentópolis, a terra das cachoeiras gigantes:

 

Nós levamos muita sorte de termos visitado Prudentópolis em um período onde as cachoeiras estavam com vazões acima do normal, porém (não sei se pela chuva ou não) as estradas estavam muito ruins. Pretendemos voltar em breve pra conhecer outros saltos e também pra descermos até as bases das cachoeiras que só vimos de cima. Nos resta torcer para que as estradas estejam um pouco melhores. Outro detalhe é que todos os lugares estavam cobrando 10 reais de entrada e nós tínhamos lido por aí que o valor era bem menor, não sei se foi pelo feriado ou a inflação realmente chegou por lá, achei um pouquinho caro, mas vale a pena!

Participaram desta expedição eu (Itamar Japa), Patricia Pereira, Kessley Pereira e Maicon Canton. Valeu pessoal!

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10 Respostas para Prudentópolis, a terra das cachoeiras gigantes.

  1. Chico Guil disse:

    Parabéns pela matéria, uma das melhores que já vi sobre Prudentópolis. Nosso povo ainda não “pegou na partida” quanto ao turismo, mas aos poucos vão surgindo novas pousadas, hotéis e restaurantes. Em breve, acredito, o turismo será a maior fonte de renda da população, pois o potencial é gigantesco.
    Quanto ao salto São Sebastião, vocês deveriam ter descido pelo lado do salto Mlot, até uma plataforma, de onde pode-se ver o São Sebastião de frente e em toda a sua magnitude. Estive lá dias atrás e percebi que a trilha está muito ruim, quase impossível chegar à plataforma.
    – – –
    Corrijo o nome do Salto Barão do Rio Branco. Na verdade chama-se “Visconde do Rio Branco” (o visconde era pai do barão na vida real). O salto foi nomeado pelo governador da província do Paraná, Alfredo d’Escragnole Taunay, Visconde de Taunay, em 10 de abril de 1886. Voltando de Guarapuava, ele chegou debaixo de chuva ao nascente povoado de São João do Rio Claro (alterado em 1897 para Colônia Prudentópolis). Em seu livro “Paisagens Brasileiras”, Taunay relata:
    “O dia 10 foi todo de chuvas, que tornaram muito escorregadias e perigosas as descidas dos contínuos morros, já de si bastante penosos. Devagar, os fomos vencendo e caminhando até ao nascente povoado de São João do Firmo, ao qual dei o nome de Capanema e, deixando a estrada à esquerda, visitamos o salto Visconde do Rio Branco(2), depois de seis quilômetros de péssima picada e mais dois a pé em local muito escabroso e difícil”.
    O texto a seguir, escrito por Taunay em 1899, foi publicado num livro de Sebastião Paraná, e reproduzido no Álbum do Paraná, de 1935.
    “Difícil é, por certo, encontrar-se, até mesmo no Brazil, tão pródigo de formosas e variadíssimas curiosidades naturais, cousa mais bela, mais cheia de grandeza e selvática magneficencia. Imagine-se copiosíssima e límpida massa líquida, atirando-se de golpe em precipício de 75 a 80 metros de altura(3) e pulando uma muralha cortada a pique, cuja linha da aresta superior, toda crivada de fundas reentrâncias e grandes saliências, imprime as mais pittorescas e encontradas direções às águas, no momento em que o rio inteiro, como que preza de fatal desespero, se jorra de um ímpeto no abysmo.
    Por isso, os enormes e espumantes caixões ora formam larga e belíssima curva toda riscada de rugas paralelas como prespos de ondeante cabelleira, ora cahem de subito em bloco, a modo de peso inerte e que só obedece à gravidade, ou então se dividem em rios e filetes, mais ou menos encorporados, parecendo, uns, alvíssimos fitões a riscarem de branco a pedra negra, outros, uma serie de aereos flocos, que não attingem o fundo, se desfazem em nevoeiro, se pulverizam nos ares e desvendam nos raios do sol os graciosos e leves ancenubios do arco-iris.
    Além da disposição de toda a rocha talhada a prumo, que incute cunho novo e extraordinário a essa catadupa, há para o viajante que a contempla de cima para baixo, como nós a vimos, isto é, à boca do precipício quando o rio galga o colossal obstáculo, há uma particularidade que empresta realce particular e nunca assaz admirado ao salto Visconde do Rio Branco.
    É um grande panno de muralha estratificado e saliente, que do lado de lá da curva mais opulenta em águas se adianta bem para fora e serve assim de fundo ao crystallino jacto, conservando-se sempre enxuto, pois a rigorosa convexidade da queda e sua rapidez são taes, que nenhum borrifo ou salpico delle se desprende.
    E esse monolitho, terminado por uma espécie de agigantada cornija, ainda mais sobresahe, porquanto a seu turno ressalta de uma verdadeira cortina d’água formada por um jorro que se despeja do lado de traz, de maneira que aquelle colosso pétreo figura de monstruosa columna, cercada por todos os lados de immensos bulcões líquidos, sem nunca ser molhada.
    Admiramos tudo aquillo e mais a esplêndida vegetação das margens, as paredes cyclópeas e estratificadas de toda aquella scena, cuja nota alegre e vivida era dada pela florescencia delicada e multicolor das melastomaceas, chamadas em toda a Provincia do Paraná alleluias. Ficamos mais de uma hora, considerando bem empregadas as canseiras a que nois haviamos sujeitado, a transitar por picadas impossíveis, a subir e a descer ingremes morros e a vencer trechos em que os cavallos mal podiam ter-se de pé, tal a quantidade de pedras soltas e seixos rolados — tudo debaixo de contínuos e violentos aguaceiros.
    Aliás, já alguns visitantes de nota alli haviam chegado, os Srs. Barão de Capanema, o Dr. Weiss com o principe de Hohenlohe e Barão Schoeler, o engenheiro Oldebrech e vários outros, não muitos, pois esse salto é ainda pouco conhecido e quase nunca visitado, tendo havido necessidade de se abrir estreita trilha para termos caminho.
    Ainda ahi tivemos valente e perdurável impressão. Foi quando, voltando-me para os companheiros de excursão, exclamei com voz forte: “esta catadupa terá o nome de salto Visconde do Rio Branco”. Então uma saudade funda e repassada de gratidão pungio o coração dos brazileiros que se achavam naquellas solidões; e todas as grandezas da natureza inconsciente, aquellas revoltas e estrondeantes águas, aquellas ummensas rochas, aquelles solemnes e alentados madeiros, tudo se abateu e ficou pequeno ante a estatura moral do estadista, cuja recordação esse glorioso nome evocava no meio de invios sertões!”

    • Itamar Japa disse:

      Olá Chico Guil, que bom que você gostou da matéria, muito obrigado. Nós realmente ficamos muito frustrados de não termos descido até a base de alguns saltos, mas não seja por isso, voltaremos em breve. Quanto ao nome, obrigado de novo, temos como referência as informações que estão nos informativos da prefeitura, mas de qualquer forma agradeço muito pela correção e por compartilhar conosco esse texto tão informativo. Grande abraço.

    • Gerson Luiz Rodrigues disse:

      Parabéns pelas informações.
      Já decidi onde vou passar parte de minhas férias!!
      Agora pergunto:As estradas para chegar a essas cachoeiras,com um veículo de passeio comum eu consigo acesso??

      • Itamar Japa disse:

        Olá Gerson, o grande empecilho pra visitar as cachoeiras é o acesso, mas você consegue chegar sim, em todas elas… Vai devagar que tudo dá certo. Acho que a única que o acesso é mais complicado é o Salto São Francisco, mas você pode ir por Guarapuava onde o acesso até a entrada do Parque é melhor. :)

  2. Emerson disse:

    Adorei a matéria, em Julho pretendo curtir as férias no Paraná….Já decidi que Prudentópolis será minha segunda parada. Valeu pela diva.

  3. Obviamente não aguentei de curiosidade e tive que vir aqui para ver as cachoeiras gigantes. Estou encantada!!!! Você é o cara! rsrssr Sucesso!

  4. Mônica Souza disse:

    Que legal este relato Itamar, entrei no clima deste lugar mágico com vocês! Dei uma passada aqui no seu blog para conferir os últimos posts e me deparei com esse de Prudentópolis… Bateu sessão nostalgia. Fomos há muitos anos e queremos muito voltar. Cidade incrível pela cultura e pela natureza! Quando der certo nossa nova expedição vou te procurar para dicas atualizadas, hahaha…

  5. Camila disse:

    Corrigindo o nome, Prudentópolis :)

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